O couro autêntico volta a ocupar o centro da sala, mas não pelos motivos de sempre. O que está mudando o mercado em 2026 não é o acabamento brilhante nem o capitonê clássico, mas sim a curtição e a forma como o material envelhece. Quem procura tendências reais deveria prestar menos atenção ao catálogo e mais à ficha técnica da curtição.
Acabamentos que dominam o catálogo este ano
Segundo os relatórios de feiras do setor de móveis dos últimos ciclos, três famílias de acabamento concentram a demanda:
- Anilina pura ou semi-anilina: toque natural, poro visível e evolução da cor com o uso. É a opção que mais cresce entre quem prioriza autenticidade sobre resistência extrema.
- Gravado em grão grosso: recupera protagonismo em propostas de estilo retrô, com superfícies mais texturizadas e foscas.
- Curtição vegetal: ganha espaço pela sua rastreabilidade, embora convenha saber que costuma ser mais sensível à luz direta e requer mais cuidado.
O acabamento acetinado tipo pull-up também aparece com força: muda de tom ao esfregá-lo e desenvolve uma pátina rápida. É atrativo, mas não é para quem quer um sofá que pareça idêntico durante anos.
O que está se movendo em formas e estrutura
As silhuetas baixas e modulares continuam ganhando terreno, e o couro se combina cada vez mais com bases de madeira aparente ou pés metálicos finos. A novidade não está na forma, mas em como o assento é resolvido: os módulos com capa removível de couro — pouco habituais há alguns anos — começam a aparecer em coleções de gama média, o que facilita a manutenção a longo prazo.
O detalhe que quase ninguém verifica
Em peças de vários lugares, verificar se as almofadas do assento são de espuma HR ou de plumas misturadas muda por completo a experiência. O couro sobre plumas cede e enruga antes nas zonas de apoio; sobre espuma de alta densidade mantém a linha por mais tempo, embora seja mais firme no início. Nenhuma opção é melhor em abstrato: depende de se buscar maciez imediata ou uma estrutura que aguente dez anos sem se deformar.
Um erro frequente com o couro anilina
Um caso que se repete: quem compra um sofá de anilina e o coloca junto a uma janela orientada ao sul sem cortina. O couro curtido ao vegetal e as anilinas sem pigmento podem virar de tom de forma desigual em poucos meses, e essa mudança não é coberta pela garantia porque é considerada uso normal. A solução prática não é renunciar ao material, mas prever a exposição: rodar as almofadas, usar persianas e aceitar que a pátina chegará. Se se quer uma cor uniforme e estável, convém optar por couros pigmentados, com menor transpirabilidade mas muito mais resistentes à luz.
Limitações que convém assumir antes de comprar
O couro autêntico não é a opção ideal para todos os lares. Em casas com animais de estimação que arranham, um couro anilina se marcará com facilidade; os gravados e os pigmentados toleram melhor o trato. Também não é a melhor escolha em ambientes muito úmidos sem ventilação, onde podem aparecer manchas de umidade se o couro não estiver bem tratado. E nem tudo o que se vende como couro o é: convém revisar a etiqueta, que deve indicar a porcentagem e o tipo de curtição, não apenas a palavra “pele”.
A tendência real de 2026 não é sobre uma cor de destaque, mas sobre escolher a curtição em função de como o sofá vai ser vivido. Aí está a diferença entre uma peça que melhora com os anos e uma que se estraga antes do tempo.